Amílcar Lopes Cabral nasceu a 12 de setembro de 1924 em Bafatá, filho de pais cabo-verdianos. Cresceu entre Cabo Verde e a Guiné, onde testemunhou desde cedo a injustiça colonial portuguesa.
Formou-se em Agronomia em Lisboa, onde conviveu com outros jovens africanos — Agostinho Neto, Mário de Andrade, Marcelino dos Santos — que viriam a liderar as independências africanas. Em Portugal participou na Casa dos Estudantes do Império, berço do pensamento anticolonial lusófono.
De regresso à Guiné em 1952, realizou o primeiro censo agrícola do território, percorrendo todas as regiões. Esse trabalho deu-lhe um conhecimento único do país e do seu povo, que viria a ser a base política do seu projeto de libertação.
Em 19 de setembro de 1956 fundou clandestinamente o PAIGC. A partir de 1963, lançou a luta armada de libertação, organizada com uma disciplina e uma visão política que impressionaram o mundo.
Cabral teorizou a 'arma da teoria' e o 'regresso às fontes': nenhuma libertação é possível sem reapropriação da cultura do povo. Foi assassinado em Conacri a 20 de janeiro de 1973, oito meses antes da proclamação unilateral da independência da Guiné-Bissau (24 de setembro de 1973).
Pensador maior das libertações africanas, é hoje referência mundial em estudos pós-coloniais. O seu nome é dado a escolas, aeroportos e universidades em África e na Europa. A Guiné-Bissau é, antes de tudo, a sua obra.
